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:: Teses Jurídicas
PENSEI MUITO E NÃO ENTENDI !!!

Escrevo aos meus colegas advogados coligados para mostrar o descompasso existente nas relações entre o BNDES e as empresas privatizadas.
As empresas sabiam da desvalorização do real em relação ao dólar. O Governo perdeu R$ 16,5 Bilhões e curiosamente, para emprestar o seu próprio dinheiro.
Simplificadamente, prevendo que o real iria cair e o dólar subir, grandes empresas e bancos procuravam comprar, além dos títulos do governo, também dólares para guardar. Obviamente nada de dinheiro vivo, cédulas de dólar, mas, sim, contratos na Bolsa de Mercadorias & Futuros, pelos quais um vendedor A se compromete a entregar ao comprador B, dentro de 30,60, 90 dias, um valor determinado, de milhões de dólares, pelo preço do dia da assinatura do contrato, isto é, congelado.
O vendedor A, no caso, foi o governo brasileiro que fechou contratos, para a entrega futura de dólares a esse preço " congelado", em nova tentativa- segundo o texto oficial- de mostrar ao mercado que " nunca" desvalorizaria o real.
Na verdade, o governo de um lado, emprestou dinheiro em reais, por exemplo, para a Companhia Siderúrgica Nacional, com juros de 5,88% ao ano. Com esse mesmo dinheiro, a CSN comprou dólares para entrega futura. Como houve a desvalorização perdeu o Brasil a diferença existente entre o dia do preço congelado e a data futura onde deverá fazer a liquidação.
Essa é a maneira encontrada para se fazer fortuna.
É fácil entender.
Empresta-se US$ 2 Bilhões para a CSN em reais com essa taxa diferenciada de 5,88% ao ano. Depois de alguns dias faz-se a desvalorização do dólar, mas o próprio Governo prometeu vender os dólares para a CSN. Então o Estado perdeu 30% do valor que emprestou.
De agosto de 1997 para novembro de 1998, os títulos com correção cambial "vendidos" aos felizardos pularam de 8,98% para 22,45% da dívida crescente do Governo, isto é, de R$ 18 bilhões para R$ 66 Bilhões ( até novembro....). Uma desvalorização do real em 25% significa, prejuízos para o Governo da ordem de R$ 16,5 Bilhões para o Tesouro e lucros equivalentes para as Companhias Siderúrgicas Nacionais do país.
O Governo perdeu vários Bilhões de dólares no mercado futuro.
Há bancos que tomaram dinheiro emprestado em real e fizeram aquisições em dólares no mercado futuro. Ganharam o diferencial. Voltam pagam suas contas e o lucro aplicam no mercado financeiro com as taxas de 10, 12, 14% inviabilizando a economia e trazendo nefastas conseqüências com alargamento da massa de pobreza que assola nosso Brasil.
Há outras aberrações destruidoras do real, nas relações do BNDES com grupos privilegiados, principalmente, os compradores de Estatais.
Tais grupos estão sendo financiados maciçamente pelo BNDES e segundo entrevistas dos Diretores dessas empresas estão importando 85%, 90% e até 100% de peças e componentes de telefones, geladeiras, equipamentos que deveriam produzir aqui.
Este é o Brasil do Real. Um Brasil " burro" desgovernado que empresta seu próprio dinheiro a taxas irrisórias para grupos alienígenas que depois compram desse mesmo Brasil " Burro", dólares, no mercado futuro. Só a má fé de nossos governantes é que pode dar sustentação a tamanha safadeza.
O Brasil precisa na verdade é de feitiçaria de efeito psíquico.
Não é possível assistir calado a pobreza dos empresários brasileiros que perdem patrimônio, máquinas, tratores, caminhões, estoques, para bancos espúrios, que fazem negociatas com um Governo "burro", para não se dizer "desonesto", gerando só riqueza para grupos privilegiados que pela ganância espoliam o povo transformando o Brasil no país mais ineficiente do mundo, sempre focalizado no exterior, como atrasado e palco de palhaços. Há brasileiro que no exterior diz residir na Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, por Ter vergonha de viver no Brasil, tamanha é safadeza de nossos governantes.
Pensei muito e não entendi como é possível o BNDES emprestar dinheiro para grupos que depois compram os dólares no mercado futuro, ganhando um diferencial de 25% em poucas horas, sem nada produzir, mas pelo contrário, para depois emprestar esse mesmo lucro para empresas com taxas de 10, 12, 14%, crucificando empresários e nossa agricultura.
Um abraço e espero receber comentários a respeito do assunto. 


NELSON JOSÉ COMEGNIO
comegnio@uol.com.br

 

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